segunda-feira, 20 de maio de 2013

“O novo homem”




A cultura stalinista, que gozou de completa hegemonia nos meios de esquerda, durante os últimos noventa anos, produziu verdadeiras pérolas do cretinismo político. O primeiro deles, e o mais propalado, foi o discurso dos dois mundos. Diziam eles, fraudulentamente, que existiam dois mundos: um capitalista decadente e um outro socialista ascendente, onde corriam leite e mel. Tratava-se de um discurso infundado e a queda do Muro de Berlin, seguida do desmoronamento dos chamados países socialistas do leste europeu, deixou a nu a farsa do discurso dos dois mundos, qualitativamente diferentes, convivendo pacificamente.
Outro discurso despido de fundamento, era aquele que, durante a guerra fria, afirmava ser a URSS a segunda maior potência do mundo. Na verdade a URSS era uma potência de dimensões incalculáveis, em se tratando do seu poderio atômico. Entretanto, no que diz respeito a sua economia, o que se vê é o fato daquela “potência”, hoje, colocar-se como país emergente, no cenário mundial, compondo o BRICS. Daí, se conclui que não se tratou nem se trata, de uma potência econômica.
Um discurso próprio dos anos do stalinismo, atém-se em afirmar que o “mundo socialista” produzia um “novo homem”. Quando ruíu o império desse “mundo socialista”,  o que se observou foi brotar dos seus escombros, horrendas figuras. Seria o “novo homem” o Mikhail Gorbachev? Ou seria o alcoólatra Boris Yeltsin? E ainda vale perguntar, seria esse novo homem, o antigo agente da KGB, o senhor Vladimir Putin? Ou seriam os mafiosos russos, bem organizados em torno do crime, os ditos “novos homens”?
Por tudo que vemos e constatamos, a cultura stalinista formulou vários discursos, baseados em descaradas mentiras e fantasias e elas foram eficazes para a sobrevida de um capitalismo exaurido. As tagarelices emanadas de Moscou & Cia se prestaram a criar uma esquerda desfigurada, empobrecida, indigente. O discurso do “novo homem” mostrou-se, como tantos outros proferidos pelo stalinismo, uma verdadeira falácia e isso é necessário que seja denunciado e, a partir da denúncia, que se procure construir uma cultura anticapitalista desprovida de fanfarronices, mentiras e lendas.
A URSS não poderia criar um novo homem, na medida em que ali se processou a construção do capitalismo de Estado, obra de alto custo social efetivada sobre os cadáveres de milhões de pessoas. Isso para não falarmos das profundas agressões ao meio ambiente, tudo isso em nome do comunismo que se tornou uma palavra enlameada, imprópria a um bom uso.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

“O nosso país”




A burguesia, muito esperta, não diz nossas terras, nossas fábricas, nossas minas, nossos bancos, nosso grande comércio, nossas empresas de transporte. Ao invés de dizer que eles são os donos do Brasil, eles usam o truque de falar “nosso país”. Em nome dos seus lucros, do seu enriquecimento, a burguesia fala em crescimento nacional.
Quando o ex-presidente, ex-metalúrgico, ex-proletário, Lula da Silva, “o cara” na expressão do Barack Obama, faz suas viagens em busca de bons negócios para os empresários sediados no Brasil, ele diz: estou empenhado em buscar vantagens para o “nosso país”. Isto é uma deslavada mentira, porém essa mentira, que serve para enganar o povo, tem os seus resultados favoráveis à esperta burguesia. Isso porque, através de um intenso trabalho, o sistema capitalista consegue, por meio de seus aparelhos ideológicos, colocar na cabeça do nosso povo, que devemos viver e morrer em defesa do “nosso país”, em defesa da “nossa pátria”.
Não percebem os nossos trabalhadores, as nossas donas de casa, a nossa juventude, regra geral, que pátria e patrão têm uma estreita unidade. Seria papel dos partidos que se reivindicam comunistas e socialistas, irem ao povo e denunciar essa fraude consubstanciada na expressão propagandística: “Brasil, um país de todos”. Esses partidos que se rotulam comunistas e socialistas, ao invés de desmascarar as enganações, as mentiras da burguesia, tudo fazem para reforçar esses discursos, quando levantam bandeiras do tipo: “o petróleo é nosso”, “a Amazônia é nossa”, “o Banco do Brasil é de Pedro, Paulo, José, Ana”.
Diante desse quadro de cinismo, dobram as nossas responsabilidades em desconstruir essa ação nefasta e construir uma verdadeira consciência popular que leve a enxergar, no capitalismo, o inimigo real de todos os explorados e oprimidos. É de nossa responsabilidade, como gente consciente, a tarefa de, mesmo diante de tantas adversidades, levantar bem alto a proposta de construção de uma nova ordem econômica social que permita a existência da igualdade, da justiça e da paz.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

“Geografia da Fome”




O velho PCB costumava criar euforias em torno de alguns fatos. O nutrólogo Josué de Castro tornou-se festejado por pessoas de esquerda, por conta de sua obra maior, “Geografia da Fome”. Agitando discursos apaixonados, ele denunciava a fome, mas não dizia a verdadeira causa dessa chaga social, recorria a afirmações que pecavam pelos equívocos.
Em se tratando do Brasil, o PCB dizia que a fome e outras mazelas sociais, decorriam da presença de restos feudais e da exploração ianque e, assim sendo, deveríamos implementar uma política que erradicasse os “restos feudais” ao mesmo tempo que viabilizasse uma política de “libertação nacional”.
Ora, a verdade é que no Brasil nunca existiu o feudalismo e assim não poderiam existir restos feudais. O descobrimento e a colonização do Brasil, se deram sob os auspícios do capitalismo mercantilista e os engenhos, base da colonização. Eram empreendimentos que nada tinham de feudal, pois presumia a existência de capital acumulado, capaz de levar avante um custoso projeto de construção de uma indústria açucareira voltada para a exportação.
Por seu lado, o Brasil sempre foi dependente. Primeiro de Portugal, depois do imperialismo inglês e, por fim, tributário das grandes corporações. Propor a soberania nacional em época de imperialismo, é um total engano, sobretudo hoje, em época de “globalização”, quando reina a dominação do capital transnacional.
Diante desses fatos, observamos que a grande denúncia da fome, não associava esse flagelo a sua verdadeira causa, a vigência do capitalismo. Lutar contra essa chaga social e tantas outras mazelas, deveria ter como bandeira a luta anticapitalista e a esse patamar não ia o ilustre sr. Josué de Castro e, muito menos o PCB, que se limitava, por orientação de Moscou, a pugnar por um programa nacional reformista, e isso representava uma verdadeira tragédia política na medida em que, a citada agremiação, gozava de ampla hegemonia nas hostes do movimento popular enquanto empunhava uma postulação política tão equivocada.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Emir Sader. Que pena!




O sr. Emir Sader, sociólogo e pretenso marxista, vem a público, em parceria com outro intelectual argentino, lançar um livro em que louva os anos de governo petista e elege como inimigo principal, o neoliberalismo e não o capitalismo. É até compreensível que se tenha a política neoliberal como de natureza bem mais cruel no âmbito desse sistema sócio econômico. Mas ao invés de propor o anticapitalismo, como seria próprio de um verdadeiro marxista, ele se propõe tentar viabilizar uma política econômica, pretensamente capaz de produzir um capitalismo humanizado, palatável. Essa postura, comum a muitos intelectuais que se arvoram de marxistas, é totalmente repugnante. Isso porque, considerando que para implementar uma política de gerenciamento do capitalismo, objetivando torná-lo menos cruel, o PT e o PCdoB caíram, de corpo e alma, nos braços de amplos setores fisiológicos, estabelecendo com esses setores a mais íntima e promíscua aliança.
Não quis o velho PT, nenhum entendimento com o PMDB ideológico de Ulisses Guimarães, Franco Montoro, Mario Covas, Tancredo Neves... Porém estreitou laços efetivos com o PMDB corrompido de Jose Sarney, Renan Calheiros, Jader Barbalho, Romero Jucá. Isso para não falar da deslavada aliança com o sr. Paulo Maluf.
Pretender criar uma dicotomia do tipo neoliberalismo versus nacional desenvolvimentismo, é uma armadilha, levando-se em conta os reais interesses históricos das classes trabalhadoras. Edir Sader, em parceria com Maluf, empenhou-se em levar a candidatura de Fernando Haddad à vitória em nome de derrotar a “tucanalha”. Mas será que estamos fadados a dualidade: “tucanalhas” versus “petralhas”? Essa questão deveria ser respondida pelo “marxista”, que se aventura em tornar público uma obra de bajulação que bem retrata o estado de indigência, de uma certa intelectualidade, da qual Emir Sader é partícipe. Cremos não haver esperança de reverter esse quadro de apodrecimento político e ideológico de certos setores da nossa “inteligência”. É lamentável.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

“Trabalhando pelo país”




Os políticos da burguesia têm a tarefa de defender os interesses dos diversos grupos econômicos. Mas não seria interessante para eles, falar essa verdade. Então lançam mão de uma deslavada mentira: ao invés de dizer aquilo que realmente eles fazem, preferem afirmar que trabalham pelo país. Aliás, é bom para eles que imaginemos ser os governos defensores dos interesses da população.
O sistema capitalista, a quem eles servem, se mantém em função do império da mentira. Caso consigamos desmanchar esse império, conseguiremos desconstruir esse sistema sócio-econômico que se sustenta motivado pelos interesses de uma única classe: a burguesia. Entre as enganações que compõe o império da mentira, está a afirmação de que tudo se faz no interesse do país. Quando o ex-proletário, Lula da Silva, ganha o mundo buscando negócios para empreiteiras e para setores da indústria ou do comércio, ele afirma que está procurando vantagens para o Brasil.
O empenho em enganar o povo, ficou claro no slogan do governo Lula: “Brasil, um país de todos”. Ora, as terras desse país, os bancos, as indústrias, as minas, as empresas de transporte, o grande comércio não são nossos, não são dos trabalhadores, são propriedades de uma única classe: os capitalistas. Dessa forma, fica fácil a gente deduzir que não passam de lorotas as afirmações tais como “O petróleo é nosso”, ” a Amazônia é nossa” e outras tagarelices enganosas como: Banco do Brasil, um banco do Paulo, do Pedro, da Maria, do José... Que grande mentira!
Vale atentarmos para as inúmeras enganações que, como já dissemos, compõem esse imenso império de lorotas. Vale repetir que na hora em que conseguirmos desconstruir esse monumento de mentiras, estaremos aptos a desconstruir o capitalismo, pois esse sistema sócio-econômico é responsável por nossas chagas sociais. Somente com a superação do capitalismo haveremos de ter uma sociedade igualitária, em que reinarão a justiça e a paz.
Para os que não acreditam nessa possibilidade, vale lembrar o fato de que nas sociedades primitivas (indígenas), que duraram centenas de milhares de anos, prevalecia a igualdade social. Enquanto isso, a desigualdade, fruto da propriedade privada dos meios de produção, existe, somente, há cerca de dez mil anos.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

“Trezentos Picaretas”




            Há alguns anos, o sr. Lula da Silva, afirmou que no Congresso existiam cerca de trezentos picaretas. Na ocasião, lancei uma pergunta: considerando verdadeira a afirmação desse senhor, resta-nos saber quantos picaretas existem no Partido dos Trabalhadores? Esse questionamento mereceu protestos dos petistas que resolveram, em Congresso estadual, tirar uma moção de repúdio à mim.
            O que vimos depois de Lula presidente, foi ele estabelecer íntimas ligações com os picaretas do Congresso. Não quis o PT manter qualquer entendimento com o velho PMDB ideológico, representado por Ulisses Guimarães, Franco Montoro, Mario Covas, Tancredo Neves e outros líderes da política nacional. Com essa gente os petistas não celebraram nenhum tipo de aliança ou mesmo qualquer entendimento. Entretanto, jogaram-se, de corpo e alma, nos braços do PMDB fisiológico.
            Não bastasse essa esdrúxula comunhão do PT com o fisiologismo, esse partido, sob a batuta de Lula, não teve nenhum constrangimento em selar uma aliança com o sr. Paulo Maluf, em nome da eleição de Fernando Haddad.
            Agora, Lula fala em buscar entendimentos, em São Paulo, com Celso Russomano, figura representativa do que existe de mais rasteiro na política. Falou-se em trezentos picaretas do Congresso Nacional. Hoje, temos uma cifra bem maior deles nas hostes petistas, uma vez que essa agremiação deixou de ter um perfil ideológico para se enredar em práticas ilícitas.
            O “Estado Maior” do petismo é constituído por figuras como Antonio Palocci, que teve a proeza de acumular uma fortuna de 20 milhões de reais, no curto prazo de quatro anos. Ao lado dele, vamos encontrar os senhores José Dirceu, Delúbio Soares, João Paulo, José Genuíno, denunciados e condenados por práticas criminosas.
            Infelizmente, essa é a realidade política que hoje vivemos. Diante dela, cabe-nos denunciar com veemência, essa situação e, buscar construir alternativas que levem em conta a existência de uma sistema capitalista exaurido e a urgente necessidade de implementar políticas voltadas para a transformação social, ou seja para a negação do capitalismo e portanto pela viabilização de um projeto socialista.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

PSD, um partido amorfo!



No ano de 2011, surgiu um novo partido, o Partido Social Democrata, por iniciativa do ex-prefeito Gilberto Kassab. Trata-se de uma agremiação sem ideologia definida. Usando o nome de social democrata, esse partido tem um inequívoco perfil fisiológico e, dessa forma, tornou-se abrigo para as figuras arrivistas do nosso fazer político.
A criação dessa entidade mereceu o apoio do governo Dilma e sua tramitação, para se legalizar, foi tranquila, sem obstáculos. Na contra mão desse pleito fisiológico, estão às propostas de criação da REDE, de Marina da Silva, e a fusão do PPS com o PMN que redundou na Mobilização Democrata, MD. Essas organizações propostas, são ideologicamente de direita, mas são ideológica, enquanto o PSD é fisiológico e isso faz muita diferença.
A organização do PSD mereceu o apoio do Planalto e não sofreu constrangimentos. O que se verificou em relação as duas novas agremiações propostas, foi uma iniciativa casuística, tramitando no Congresso, de forma apressada, um projeto, cuja finalidade é prejudicar os novos partidos para beneficiar a Dilma Rousseff. Tais atitudes são escandalosas, são cínicas.
Em função das considerações feitas a respeito do perfil político do PSD, causa-nos perplexidade quando a imprensa especula, baseada em “fontes seguras”, que os irmãos Ferreira Gomes estão predispostos a se transferir para o partido do sr. Kassab.
Há alguns anos dissemos ao Ciro Gomes que ele era um dos quadros, politicamente, mais qualificados do sistema, ou seja, era ele um quadro essencialmente ideológico e, nessa condição, fica difícil entendermos o seu ingresso em um partido fisiológico. A hipótese da ida de Cid e Ciro para o PSD dever-se-ia ao fato de que os citados irmãos são defensores do apoio a candidatura da Dilma e, diante do possível pleito do governador de Pernambuco em disputar sua eleição para Presidência da Republica, motivaria o afastamento desses irmãos da legenda do PSB. Isso nos parece muito estranho, porém, esse fazer político, é uma marca desse sistema que responde pelo nome de capitalismo.